Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007

Bombeiro pede socorro

Santa Maria da Feira: bombeiro pede socorro

Alberto Pinto é um bombeiro de 46 anos, de Santa Maria da Feira, que, o destino implacavelmente condenou à morte por doença. Na memória guarda as muitas vidas que ajudou a salvar. Agora, é ele que pede socorro económico para a família, depois de lhe ter sido diagnosticada uma doença fatal: (ELA) Esclerose lateral Amiotrófica

«Descobri que tinha a doença há cerca de um ano. Comecei com a falta de força no polegar direito, mas pensei: isto vai passar», recorda. Não passou e agravou-se, com os sintomas a passarem para o braço, as pernas e pescoço. Esta doença, que também vitimou o cantor Zeca Afonso, é implacável: «Sei que tenho, no máximo, mais três, ou quatro anos de vida», diz, resignado.

«Inicialmente foi muito difícil aceitar, mas agora já interiorizei. Os médicos não me disseram tudo e foi na Internet que descobri que tinha a minha morte anunciada». «Não foi fácil, como ainda não», confessa, e «quando soube só me apetecia pegar no carro e desaparecer sem destino».

Mas, o amor pela mulher e filhos falou mais alto e resolveu lutar, «não contra a doença, porque não há cura», mas para deixar a família numa situação economicamente estável. «Só luto pela minha família, por mim, era capaz de desistir de tudo, porque não é fácil», diz. «Nunca pensei chegar a este ponto», confessa envergonhado Alberto Pinto, enquanto as lágrimas lhe lavam o rosto. O filho mais velho de 19 anos terminou o 12.º ano e abandonou o sonho de ser arquitecto, para ajudar nas despesas da casa. «Neste momento, vivemos com a minha baixa médica e o ordenado da minha mulher», cerca de 700 euros mensais, dos quais 300 vão direitinhos para a prestação mensal do apartamento.

Socorrer

quem socorreu

Ao lado de Alberto Pinto, 17 bombeiros voluntários de Santa Maria da Feira, corporação que serviu sete anos como motorista assalariado, lançaram mãos à obra para porem em prática uma campanha intitulada «socorre quem socorreu».

O objectivo, explicam, é tentar arranjar dinheiro lhe pagar o pequeno apartamento usado que Alberto Pinto comprou há seis anos e com a sua «morte anunciada» a mulher, funcionária numa cantina escolar, e os dois filhos de 19 e 9 anos não poderão pagar.  

Estes bombeiros, despem as fardas para vestirem as T-Shirt’s brancas da campanha «Socorre quem socorreu», vendendo não só as T-Shirt’s (7,5 euros) como porta-moedas (2,5 euros) em algumas festinhas e feirinhas do concelho, onde também montam uma barraquinha para vender bebidas. «Tem estado a correr bem, mas, ainda falta muito», explicam os promotores da campanha. Paralelamente foi aberta uma conta solidária na Caixa Geral de Depósitos com o NIB: 003503060005538570018.

Solidariedade dos artistas

Para o diz 17 de Novembro, o Europarque em Santa Maria da Feira já disponibilizou, gratuitamente, o seu auditório e equipamento de som, para um espectáculo de solidariedade. Já começaram a ser efectuados alguns contactos com artistas, mas, até ao momento ainda não houve respostas. «Mas também ainda estamos a começar», explicam esperançados os amigos de Alberto Pinto

Quem é «ELA»

A Esclerose lateral Amiotrófica (ELA) ou Doença do Neurónio Motor (entre nós conhecida pelo facto de ter vitimado o cantor Zeca Afonso) é uma doença neurológica que afecta o Sistema Motor.

Pode ser adquirida ou hereditária, manifestar-se na infância ou na vida adulta.

É uma doença incurável, fatal e rara. È uma patologia neurodegenerativa devastadora pouco divulgada entre nós e caracterizada pela progressiva atrofia, enfraquecimento e paralisia muscular que conduz à morte (geralmente por falha respiratória), em média cinco anos após o diagnóstico.

Foi com a morte de Zeca Afonso que a «ELA» foi conhecida entre nós. Em 1982 começam a conhecer-se os primeiros sintomas da doença do cantor, uma esclerose lateral amiotrófica. Trata-se, aparentemente, de um vírus instalado na espinal medula que, de uma forma progressiva, destrói o tecido muscular e, normalmente, conduz à morte por asfixia. Actua em Brouges no Festival de Printemps.

Perfil

Alberto Joaquim Pinto tem 46 anos. Motorista de profissão em 16 de Outubro de 2000, entrou para os Bombeiros Voluntários de Santa Maria da Feira, satisfazendo assim a sua necessidade de ajudar o próximo. Sempre que ajudava alguém sentia-se quase tocar o céu. Casado, tem um filho de 19 anos e uma menina de 9.

Por incapacidade foi obrigado a deixar os bombeiros, preparando-se, agora, para entrar no quadro de reserva. Neste momento, já depende de terceiros, às vezes até para tomar o café.

Texto retirado do Diário de Aveiro

publicado por kolaborador_4 às 23:14
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